Resenha: Só a gente sabe o que sente - Frederico Elboni


“Hoje pela manhã fiquei olhando a lista de contatos do meu celular, procurando alguém pra quem ligar, só pra ouvir aquela velha conversa de que tudo vai dar certo, que as escolhas feitas pelo coração dão vida aos sonhos e que as dificuldades aparecem e se dissipam como as dores da alma. A vida é clichê: sorrir, chorar, refletir, desistir, sonhar, tentar, se desculpar... E ouvir sobre o clichê acalma os pensamentos de quem quer que seja." 


Lançado pela editora Benvirá e contendo 168 páginas, Só a gente sabe o que sente com certeza já está entre as minhas leituras preferidas. Em seu terceiro livro, Frederico Elboni propõe ao leitor explorar seus sentimentos mais profundos, falando sobre temas que muitas pessoas não entenderiam. Saudade de pessoas que já se foram, amores perdidos, dilemas da vida adulta, todos esses temas viram crônicas nas mãos do jovem autor de Um sorriso ou dois e Meu universo particular.


"Só venha ser hóspede no meu coração – acredite, faz sol aqui dentro. Mas venha sorrindo, pois, um sorriso não custa nada. E o amor hoje se faz raro." 



 "Quando alguém querido se vai, nos deixa uma parte de si. Deixa também um pouco de solidão. E a solidão, com o tempo, se torna amiga. E assim descobrimos com as pessoas que se foram que um belo abraço e um olhar carinhoso sempre se fazem presente, e que nada verdadeiramente grande acontece sem uma parcela de amor."


No estilo bem Fred que nós já conhecemos e amamos, ele expõe ideias e fala sobre diversos assuntos abertamente: saudade, indecisão, coragem, liberdade, amor e suas diferentes formas. Com uma sinceridade indescritível, fala sobre como seu coração está pronto para amar, mas não para sentir saudade, o quão imprevisível é a vida e o quão necessário é o amor, assim como também nos mostra como temos tantos sonhos e tão pouca gente com quem dividi-los.


"A gente deseja, e a gente mesmo realiza. A gente ama, e a gente mesmo se deixa ser amado. Não existe limite para os sonhos de quem acredita que o mundo conspira a favor de quem, como a gente, tem alma de música." 

As crônicas são de fácil leitura e muita reflexão, assim como tudo o que ele produz. A leitura é tão tranquila que você nem percebe as horas passarem. Uma frase que me fez refletir muito, foi a seguinte: A gente só entra no coração dos outros quando o nosso está aberto.  De forma leve e descontraída, ele mostra como é gostoso ser quem se é, e como a vida seria bem mais divertida se as pessoas o deixassem acreditando no mundo que os olhos querem ver, e não o que realmente enxergam. Sem dúvidas é a inocência de um olhar que implora amor de pessoas e lugares.

"Não sei se eu deveria ser assim, mas sou, pois, de bobo, tenho o coração inteiro." 


"Te aceita do jeito que é, assim, o mundo te aceita como ninguém."

"Pois no fundo a gente sabe que aventura brota, mas que sentimento, quando vem, se faz único."

Como já disse nas minhas outras resenhas, gosto da maneira como ele enxerga a vida e lida com as dificuldades e situações do cotidiano.  Em alguns casos, fala que a melhor opção é ficar em silêncio e seguir em frente. Esperar e continuar acreditando que o amor existe, e que a vida saberá distribuir momentos de alegria para cada um de nós e que o mundo há de ser lindo e realizador, como a gente sonha. Sem dúvidas Fred, esperar é acreditar no porvir.  Isso mostra que contra o tempo a gente não pode lutar, então sejamos amigos dele.

"E para o meu amor que está por vir: saiba que, sem esperar, eu espero." 


 "Espero um dia voltar a ser calmaria e afeto. Espero também que o mundo possa me compreender quando meu sorriso for pequeno. Espero que a dor não seja mais ressaca das minhas emoções. Espero que os meus ombros se tornem leves quando deitar for necessidade. Espero até demais.... Não queria esperar tanto. Muitas expectativas transformam “amar” em um verbo inconjugável. Que o amor venha e transforme a dor em brisa de outono nesse coração que, mesmo não admitindo, tanto anseia pelo verão. Mas que venha de mansinho, de surpresa. E, diferentemente das comédias românticas, nos surpreenda no final. Nos faça calar a boca e, por mais antagônico que seja, gritar aos quatros ventos como o desamor é burrice."


SEM DÚVIDAS, já se tornou um dos meus livros favoritos. E digo mais: o meu favorito entre os 3 que ele já lançou. Fred nos mostra como devemos esquecer os conselhos que os outros dão e escutar apenas o nosso coração.  E, se ele não disser nada, devemos continuar a puxar assunto, pois, para se proteger, às vezes ele se fecha.

"Um dia a gente aprende que o filme pode terminar no meio e que talvez a gente viva sem ver o final que espera. Mas o tempo me ensinou que nem sempre o final que esperamos é o mais feliz." 




E depois de tanto nos mostrar, encorajar e nos fazer acreditar, você acha mesmo que ficaria para trás de um Médico ou um Jogador de Futebol? Médicos salvam vidas, e SIM, apenas como resposta do livro, você é capaz de salvar qualquer coração, e por incrível que pareça, não é apenas pelo o que você escreve, mas sim simplesmente por ser quem você é.


"Deixe em ti florescer boas lembranças, não crie rancor por quem não quis te ver por dentro, deixe a inveja para quem não sabe alcançar o amor que há em si. São poucos os que vivem o que sentem, se permita ser diferente, esqueça quem lhe impõe limites, quem lhe diz o que teu coração deve sentir, coloque os teus gostos no papel e seja panfletária do amor que quer viver."

"Ela sempre foi mar e me aceitou assim, sendo rio."


 Pessoas lindas não acontecem por acaso, e sem dúvidas, você é uma delas. Depois desse livro e tudo o que ele me proporcionou, só gostaria de dizer OBRIGADA! Não apenas por ser quem é, mas por deixar com que os outros saibam, mesmo que de forma resumida, as coisas que você pensa, sente e compartilha com o mundo. E tudo isso o mundo devolve pra você, dá forma mais bonita possível. Sei que a resenha ficou extensa, mas não conseguiria falar do livro sem expor o que eu senti ao lê-lo, Fred, você é Sensaciofuckingnal!



Apenas, por favor, não me tire a esperança do que há de vir, pois tem dias que a gente só quer acreditar no que ainda vamos sentir.

Te encontro no próximo post,


Beijos da Tami. 

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