Resenha: Perdão, Leonard Peacock - Matthew Quick

"Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem aos poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto."          


Não é fácil falar de Leonard, e nem do quanto essa leitura me fez refletir sobre muitas coisas. Leonard vive sozinho, fruto de uma estilista que não dá a mínima para o filho e de um pai que só sabia se drogar e beber. O dia começa e Leonard tem seus afazeres: entregar os presentes para as quatro pessoas mais importantes de sua vida antes que o dia acabe e ele finalmente se mate. E detalhe: ele está completando seu 18º aniversário.


Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart, é muito próximo de Leonard e o faz sentir como se fosse a figura materna que o garoto nunca teve. Lauren, a garota cristã, sem dúvidas, é um exemplo nato de determinação e persistência. Pelo menos 3 vezes na semana, ela distribui panfletos no metrô convidando as pessoas para conhecerem a igreja, distribuindo além de um panfleto, uma dose de amor e pureza que é praticamente ausente nos dias atuais. Não importa quantas pessoas a ignorem, se apenas uma a ouvisse, o dia já teria valido a pena. E o mesmo serve para Leonard, mas ele já não teme a morte, pois para ele todas as pessoas já estão mortas, fazendo uma comparação ao observar as pessoas realizando atividades comuns no dia-a-dia. 


Não dá para acreditar que ele realmente quer se matar. As horas vão passando e Matthew Quick consegue transmitir perfeitamente a sensação de euforia de Leonard, com uma dose grande de desespero e implorando por ajuda. Nos faz refletir sobre como vivemos em um padrão como se fossemos robôs, deixando de lado as coisas simples da vida, esquecendo-nos do que realmente importa.


Com o decorrer da história, o autor explica o porquê de cada presente e o motivo pela qual determinada pessoa irá recebe-lo, e nos faz perceber que no fundo, Leonard não quer pôr fim em sua vida, mas sim na sua “não existência”. Ele quer ser notado, mas não por alguma atitude que chame a atenção, mas pelo fato de simplesmente ser quem ele é. Quer ganhar um feliz aniversário sem precisar avisar a data. 


É tão agoniante que chega um momento em que você também entra em desespero, querendo que alguém deseje feliz aniversário para ele, com uma reação de: MEU DEUS, ALGUÉM AJUDA ESSE MENINO!


Herr Silverman é o professor que Leonard realmente confia, que também esconde seus segredos por baixo de uma camisa longa mesmo nos dias de calor. Ele oferece ajuda ao garoto para quando ele quisesse conversar sobre qualquer assunto, e sem dúvidas, Herr tem um papel fundamental no decorrer da história. 


Não é livro sobre bullying, muito menos uma história previsível sobre depressão de um garoto que vive sozinho sem o amor dos pais. Pelo contrário, é uma história brilhante, com uma escrita ligeiramente ácida, nua e crua, característica marcante de Matthew Quick.


Estaria mentindo se dissesse que a leitura é tranquila. Pelo contrário, apesar de escrita ser fácil, é uma história cheia de detalhes com palavras que fazem muito peso no decorrer da trama. Mas isso não é problema, as 24hrs de Matthew Quick serão devoradas por você em pouquíssimo tempo, pois é IMPOSSÍVEL parar de ler. Sério, não dá! 


“Você já pensou em todas as noites que viveu e das quais não se lembra de nada? Noites tão comuns que seu cérebro simplesmente não se dá o trabalho de registrar. Isso não deixa você maluco?”


Sem dúvidas é um livro para levar para a vida. Logo no inicio já disse que ele me fez refletir sobre muitas coisas, inclusive o valor de um abraço, as pessoas que nos rodeiam e todas as vezes que ignoramos alguém, sem ao menos perceber que no fundo, aquela pessoa só quer ser aceita sem precisar se impor. Ela só quer existir para você. 


Todas as estrelas do mundo para Matthew, que já havia me conquistado desde O lado bom da vida. Super indico a leitura, e espero que também reflitam e se apaixonem por Leonard. Eu gostaria de poder explicar o título do livro, mas deixarei que você mesma descubra com o decorrer da leitura.


Te encontro no próximo post,

Beijos da Tami. 

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